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Vida por um fioAparelhos portáteis fazem exames Daniella Camargos
A mineira Larissa Arantes, de 8 anos, foi salva por um aparelhinho que cabe na palma de sua mão. Durante seis meses, ela sentiu palpitações no peito e sofreu de insuficiência cardíaca. Larissa passou por dezenas de exames, mas o tipo raro de arritmia que ela tinha só foi diagnosticado com o uso constante de um monitor cardíaco. A menina dormiu e brincou durante dias sem se separar do apetrecho. Certo dia, sentiu-se mal na escola e acionou o aparelho, que registrou o que se passava. "A arritmia só foi descoberta porque o exame foi realizado no exato momento de uma crise", explica o diretor do Instituto do Coração do Triângulo Mineiro, Roberto Botelho. "A vida dela foi literalmente salva por um fio", diz. Com a doença identificada, remédios apropriados a livraram do problema. O aparelho utilizado por Larissa é um "registrador de eventos", o principal instrumento do que os médicos estão chamando de telemedicina, um sistema que permite fazer exames sem que o paciente tenha de ir a uma clínica ou laboratório. Monitores portáteis captam algumas das funções vitais do organismo por meio de sensores e armazenam as informações na memória para depois transmiti-las para uma central médica, através de uma ligação telefônica. Em casos de urgência, o médico do paciente é avisado imediatamente e providencia a internação ou o remédio adequado. A telemedicina foi desenvolvida pelo israelense Yacov Geva, da Nasa, para o monitoramento
dos astronautas nas primeiras explorações espaciais da década de 60. Cinco anos atrá "A telemedicina está revolucionando a prática médica porque reduz o tempo entre o diagnóstico e a prescrição da terapia", afirma Renato Sabbatini, coordenador do Núcleo de Informática Biomédica da Universidade Estadual de Campinas. Com um aparelho que pesa entre 35 e 315 gramas, o monitoramento cardíaco pode ser feito logo após o primeiro sinal de dor no peito. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o índice de mortalidade entre os cardíacos no país é alto porque a maioria dos pacientes demora em média quatro horas para procurar atendimento. Na telemedicina, o tempo entre o exame e o diagnóstico é de cerca de três minutos. Como 98% dos infartados atendidos em até três horas não morrem, os aparelhinhos podem salvar milhares de vidas.
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