ASSINEBATE-PAPOBUSCAE-MAILSACSHOPPING UOL

29/04/2007

 
filha do barão

Vem das ruínas da construção inspirada no palácio francês de Écouen o som do pranto copioso de uma mulher. Realizado pelo arquiteto alemão Matheus Heussler e decorado por Cláudio Rossi (o mesmo do Teatro Municipal), a residência de Elias Antônio Pacheco e Chaves, um dos barões do café de São Paulo, foi finalizada em 1899.

Entre os mimos trazidos para o imóvel dos Campos Elíseos (região central da cidade) estavam espelhos de Veneza, maçanetas de porcelana da França e terracotas da Itália.

Todo esse luxo, porém, não impediu que a nobre filha do barão, nomeado por Dom Pedro 2º vice-presidente da Província de São Paulo, se apaixonasse pelo homem errado. Um artista, o escultor das estátuas do palácio.

Para impedir o que na época era considerado uma desgraça familiar, o barão a mandou para um convento, de onde só voltou bem idosa.

Com a morte do patriarca, a casa foi vendida e passou a ser sede do governo Paulista, em 1908. Até hoje seus freqüentadores dizem ouvir o choro da filha do barão.

O vigilante Nisvaldo Brito, 35, é um deles. Ele cuida do prédio vazio -há um ano a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado deixou o espaço- e costuma ver vultos da mulher misteriosa. "Ontem mesmo ela apareceu naquela janela", disse, apontando para o segundo andar.

Ele conta que muitos vigias noturnos chegaram a pedir demissão do lugar por excesso de espanto com os vultos brancos e o choro compulsivo.

Durante as fotos para a Revista, Nisvaldo pedia que a fotógrafa fosse na frente e acendesse as luzes. "Não me sinto bem aqui, veja como fico arrepiado", dizia, com os pêlos do braço completamente em pé.

o caça-fantasmas

O neurofisiologista da Unicamp Renato Sabbatini, 60, está acima do ver para crer. Para ele, até assombração tem explicação científica. Presidente da Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas, Sabbatini explicou alguns fenômenos à Revista sob o olhar da ciência:

Vultos
São "artefatos visuais", ou seja, erros no processamento de dados do sistema nervoso. O tempo todo recebemos estímulos visuais (piscar de farol, mudanças na intensidade da luz), que podem ser interpretados como sombras em movimento.

Toque do além
É alucinação tátil. Exemplo: o cérebro ignora o estímulo da roupa sobre a pele, pois não precisa desse dado. Se, de repente, a textura da camiseta se fizer notar, quem acredita em fantasma pode interpretar a sensação como um toque do sobrenatural.

Vozes
As células do sistema auditivo cerebral acionadas quando o barulho é real ou alucinação são exatamente as mesmas. Isso mostra por que um assustado de fato ouve vozes. Trata-se de uma disfunção do sistema nervoso.


Texto Anterior | Próximo Texto | Índice



Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.