Celular em Olímpia decadente: quem mandou acreditar em meia dúzia de vizinhas imitadoras das “Senhoras de Santana”?

Eu avisei. Aliás, o cientista Renato Sabbatini avisou. Nós avisamos!

Tão logo o candidato a prefeito Dr. Pituca perdeu as eleições, ficando em terceiro (e último) lugar, parece até que houve uma espécie de vingança contra a cidade: o então prefeito, derrotado também, Carneiro, embarcou num estranho movimento que me lembrou “as senhoras de Santana” da década de 80: vizinhas e agregadas conseguiram barrar a construção de uma torre de celular da operadora ‘Oi’ e, rapidamente, disseminando a bandeira, mais absurda ainda, de que ‘torre de celular é um enorme forno microondas em cima de nossas cabeças’, conseguiram convencer o prefeito e sua bancada na Câmara a aprovarem uma lei mais bizarra ainda, e que foi sancionada: não se pode construir torres de celular no perímetro urbano.

Hoje os usuários pagam o preço que Dr. Sabbatini avisou e eu, numa emissora de rádio, repeti por centenas de vezes: “Vocês, olimpienses, irão logo, logo, vão falar alô?, alô?, e não irão usufruir dessa tecnologia de ‘células’, uma perto da outra, essa lei contraria a ciência, o bom-senso, e até a legislação brasileira de telefonia celular”.

Dito e feito. Cadê a tecnologia 3G em Olímpia? A torre da ‘Oi’ continua embargada – experimentem falar com essa operadora nos bairros periféricos de Olímpia. Experimentem achar um posto de venda fácil de reposição de créditos dessa operadora pela cidade (se não me engano, apenas lotéricas e uma rede de supermercados recarregam). Claro e Vivo tentaram entrar com 3G em Olímpia, mas esbarraram na lei retrógrada.

Agora, é preciso criar coragem, determinação, ação legislativa, e mudá-la urgentemente. O atual secretário de Obras e Serviços Públicos, engenheiro Gilberto Tonelli Cunha, reconhece isso. O então vereador, hoje prefeito, Geninho Zuliani, acreditou na modesta sugestão deste ‘neo-blogueiro’ e preferiu se abster daquela fatídica votação anti-telefonia celular em Olímpia. Graças a Deus.

Agora, Geninho, prefeito, poderá corrigir e recolocar a cidade nos trilhos da tecnologia, da verdade e sem as sombras das ‘senhoras de Santana’. Os nobres vereadores devem urgentemente convocar Sabbatini, ou outro expert, para uma sessão técnica (se é que ainda tem dúvidas) e, claro, aprovarem uma lei mais condizente (peguem os modelos em Limeira, Americana, Campinas…).

Que tal ler esse artigo de Renato Sabbatini para tirar algumas dúvidas acerca da relação torres de celular Vs. saúde?

Quando a irracionalidade triunfa
Publicado em 19th dezembro 2007
por Renato Sabbatini em Ceticismo e racionalismo, Ciência e sociedade, Medicina e Biologia

Toda vez que uma nova tecnologia alcança uma certa massa crítica e fica muito visível para a população, medos irracionais se instalam. Os mais velhos devem lembrar-se que, quando foram lançadas as primeiras TVs coloridas, logo surgiram alguns arautos da catástrofe alardeando que suas telas emitiriam perigosos raios-x, capazes de provocar câncer, cegueira, infertilidade e outros males nos incautos telespectadores. Engenheiros (nunca médicos, como veremos) produziram gráficos aterradores de exposição continuada em crianças, idosos, etc. A última paúra, agora, diz respeito às cada vez mais ubíquas redes WiFi (redes de comunicação de dados wireless, ou sem fio, que utilizam ondas de rádio na faixa de 2,4 a 5.7 gigaherz (GHz).

A mesma ditadura do medo instalou-se com a proliferação dos monitores de vídeos dos computadores. Como as previsões trágicas dos aparelhos de TV não tinham se concretizado (ninguém assiste à TV com o rosto grudado na tela. O alcance dos raios-x, além de terem intensidade ínfima, não passava de alguns milímetros da superfície da tela), agora a razão alegada é que as pessoas estavam bem mais perto dos monitores.

E não ficou por ai. Próteses de silicone, alimentos transgênicos, fios de alta tensão, adoçantes artificiais, panelas de alumínio, e mais recentemente, telefones e torres de telefonia celular, cairam no gosto dos catastrofistas, em alguns casos causando bilhões de dólares de prejuizos a empresas. Foi o que aconteceu com a empresa Dow Corning, levada à falência pela sanha de dezenas de milhares de mulheres que tinham colocado suas próteses mamárias e relatavam as mais variadas doenças. Rigorosos estudos epidemiológicos e biomédicos feitos posteriormente demonstraram que eram efeitos totalmente infundados.

Todas se revelaram inócuas, verdadeiros mitos urbanos, quando usadas e praticadas em quantidadades moderadas e razoáveis. Foram jogadas fora enormes quantidades de dinheiro na pesquisa desses fatores, que poderiam ter sido bem melhor aplicadas na solução de problemas realmente sérios, como o buraco de ozônio, malária, HIV, agrotóxicos, tabagismo, etc. Somente em pesquisas sobre o possível efeito da telefonia celular sobre a saúde, foram gastos mais de 300 milhões de dólares, segundo informações da MMF (Mobile Manufacturers Forum), sem que qualquer evidência convincente fosse apresentada sobre a existência dos tais efeitos.

Na Inglaterra, uma autoridade educacional recentemente determinou a retirada das utilíssimas redes WiFi das salas de aula, supostamente com o objetivo de “proteger” as criancinhas das “perigosas” radiações.

É simplesmente patético. Essas pessoas seguramente ignoram que é muito baixa a potência de radiofreqüência utilizada nos dispositivos usados para telecomunicação. Por exemplo, uma antena de uma estação radiobase típica de telefonia celular irradia entre 20 W a 100 W. A antena do telefone celular GSM irradia menos do que 1 W. Um ponto de acesso Wi-Fi fica entre 30 mW e 200 mW. Ou seja, é muito pouco para provocar qualquer efeito térmico significativo. Outro fator extremamente importante é que, à medida que uma pessoa se afasta de uma antena, a intensidade cai de maneira muito rápida. A alguns metros de uma antena de Wi-Fi, por exemplo, a intensidade é de apenas um milésimo da original. A 20 ou 30 metros, a radiação é tão pequena que somente instrumentos muito sensíveis são capazes de detectá-la.

E mais: o total da densidade de potência gerada por essas redes representa menos de 1% de tudo que nos bombardeia diretamente. As ondas eletromagnéticas de rádio e TV (que ninguém pensa em desligar ou até mesmo criticar, claro, quem agüentaria ficar sem a novela?) representam mais de 20%. A maior parte dos campos eletromagnéticos, porém provém de uma fonte meio difícil de desligar: o Sol!

No século XVIII, os adeptos de John Ludd, um catastrofista britânico, destruiram teares e fecharam fábricas de têxteis, tentando frear o progresso. Não deu em nada, lógico. Os neo-ludditas radicais (curiosamente, a maioria, engenheiros, que deveriam valorizar a tecnologia) não são tão radicais, mas têm o mesmo tipo de mente deturpada.

PARA SABER MAIS CLIQUE NESTE LINK – OUTRO ARTIGO DE SABBATINI.